PT-BR
BUSCA    
POR QUE ALLAN KARDEC?
SOBRE O GEAK
REVISTA ESPÍRITA
ESTUDOS
VOCABULÁRIO
ARTIGOS
E-BOOKS GRÁTIS
INTERAÇÃO COM OS ESPÍRITOS
Links
"Não ridicularizar as ações dos homens, não chorar sobre elas, não as detestar, mas adquirir delas um conhecimento verdadeiro." (Spinoza)
Reflexão

Reflexão (do latim reflectere [refletir], replier [dobrar]


Chama-se assim o ato pelo qual nosso espírito retorna sobre suas próprias operações e inclina-se de alguma maneira sobre si mesmo, a fim de considerar as percepções, ideias e julgamentos, em geral os pensamentos que ali já se encontram. A natureza desse fato é muito bem expressa pela palavra alemã nachdenken (pensar depois), überdenken (pensar sobre) isto é, pensar uma segunda vez. A vida intelectual do homem parece, com efeito, assumir sucessivamente dois caracteres distintos: um espontâneo e um refletido.

Nós nos entregamos inicialmente sem desconfiança às impressões que recebemos dos objetos, às ideias que delas se nos apresentam e aos julgamentos  naturais da nossa razão, acompanhados de uma vaga consciência de nós mesmos: é o momento da espontaneidade. Em seguida, nós buscamos ver mais claro a respeito de tudo o que já se apresentou às nossas faculdades; começamos a nos dar conta de nossos sentimentos, de nossas ações, de nossos pensamentos; ensaiamos controlá-los e compará-los uns com os outros: é o momento que pertence à reflexão. Esses dois momentos não são menos fáceis de reconhecer, quer seja na história geral da humanidade, quer seja na existência de cada indivíduo. A primeira se distingue pela poesia e pela fé; a segunda pela ciência e pela filosofia.

A reflexão se aplica ao mesmo tempo à consciência, à percepção dos sentidos, à razão, à memória, pois todas as ideias que derivam dessas diferentes fontes são inicialmente vagas, confusas, flutuantes, e não chegam ao estado de conhecimentos claros, de afirmações decisivas, de princípios inabaláveis, senão quando, pelo trabalho interior do pensamento, pela concentração do espírito sobre si mesmo, chega-se a fixá-los, dominá-los, classificá-los e distingui-los uns dos outros. É isso que nos explica como, na infância do homem e da sociedade, existe pouca diferença entre a realidade e a imaginação, entre o presente e o passado ou os sonhos do futuro, entre nossa própria pessoa e os objetos que nos cercam. É a essa confusão plena de charme, poesia das primeiras idades, que a reflexão faz suceder a claridade e a ordem severa da ciência. A reflexão estende-se, pois, a todas as nossas ideias; mas ela não lhes abre uma fonte nova, como o pretende Locke; não se pode citar nenhuma que seja verdadeiramente fornecida por ela, e cujos materiais não sejam emprestados das nossas outras faculdades. Ela esclarece, distingue, dispõe, toma posse, se assim podemos nos exprimir, mas não cria.

Com efeito, a reflexão não é outra coisa senão nossa própria atividade ou nossa liberdade aplicada às nossas ideias, voltada para as nossas percepções e informações de nossa razão, em vez de se traduzir exteriormente por movimentos e efeitos visíveis. O mesmo ocorre com a atenção; mas entende-se comumente por atenção uma aplicação de nosso espírito a coisas presentes, atualmente submetidas à nossa consciência ou aos nossos sentidos, ao passo que a reflexão diz-se de coisas ausentes e unicamente das ideias que essas coisas deixaram em nossa inteligência. A atenção pode se exercer com a ajuda dos órgãos exteriores; a reflexão é o trabalho do espírito inteiramente entregue a si mesmo. De resto, a reflexão não é um ato simples e invariável; compõe-se de uma sequência de operações indispensáveis ao conhecimento verdadeiro ou à ciência. Refletir é analisar e compor, é observar, abstrair e generalizar, é induzir e deduzir. Não há esforço de reflexão que não entre numa dessas operações ou não as abarque todas juntas. A reunião dessas operações, dispostas em uma tal ordem que, seguindo-se uma a outra cheguem a um objetivo comum, recebe o nome de método. O método nada mais é do que a arte de refletir, e a reflexão, não é senão a intervenção da atividade ou da personalidade humana em busca do conhecimento. (Dictionnaire des sciences philosophiques, 2a. ed. Pairis, 1875)

© GEAK - Grupo de Estudos Allan Kardec
topo da página imprimir compartilhar