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Esperança

ESPERANÇA 

 

"A esperança é uma divindade que não tem templos nem altares senão em nossos corações.” Fénelon. (Le manuel de la piété chrétienne, 1713)

 

ESPERANÇA (Como iconologia)

(Segundo o Dictionnaire de la Fable - T. 1. Paris, 1803.).

 

"Esperança (Como iconologia): Divindade reverenciada pelos romanos, que lhe elevaram muitos templos. Segundo os poetas, ela era irmã do Sol que suspende nossas penas, e da Morte, que as encerra. Píndaro a chama de alimento dos velhos. É representada pela figura de uma jovem ninfa, de ar sereno, sorrindo com graça, coroada de flores nascentes que anunciam os frutos, tendo na mão um bouquet dessas mesmas flores. Sua cor é verde, como emblema do verdejante frescor que pressagia a colheita de grãos. Os modernos lhe deram uma âncora de navio por atributo, mas nenhum monumento antigo lhe deu esse símbolo. Poder-se-ia acrescentar um arco-íris. Uma encantadora alegoria é a que a representa amamentando o amor.

Uma antiga medalha a representa coroada, tendo na mão esquerda papoulas e espigas, como Cérès, apoiando-se com a mão direita sobre uma coluna, tendo à frente uma colmeia, de cima da qual se elevam algumas espigas e flores. 

Representação cristã. Gravelot a representou por uma figura sentada numa proa de navio, apoiada sobre uma âncora, e numa atitude de ardente desejo. O objeto que ela parece fixar é o arco-íris, que é prognóstico de um tempo mais sereno; as fores colocadas ao seu lado anunciam e prometem a estação dos frutos.”

 

ESPERANÇA (Como virtude)

 

(Segundo o Dictionnaire des facultés intellectuelles et affectives de l'âme, vol. 1. Paris, 1849.).

 

"Espera do bem que se deseja e que parece que deverá chegar, ou bem uma disposição da alma a persuadir-se de que o que ela deseja acontecerá (Descartes), eis o que constitui a esperança. Por isso é que se diz que a esperança é um fato complexo no coração humano, isto é, o conhecimento do bem, o desejo de possuí-lo, e a crença na possibilidade de satisfazer esse desejo.

A esperança é, pois, uma virtude mista, que se compõe do desejo e da constância, e consiste em um sentimento de confiança que sustenta o homem na espera do bem que a fortuna parece prometer-lhe, e faz com que dele se regozije, pelo pensamento, antes mesmo de tê-lo obtido.

Assim, para alguns filósofos, a esperança seria uma espécie de intuição de uma possibilidade feliz, a presciência de uma felicidade que se deseja e da qual se goza antecipadamente, imaginação feliz do desejo ou de todas as sensações agradáveis. (…)

A esperança é o amor, mais o desejo, mais a crença na possibilidade de satisfazê-la; crença que supõe, na maior parte do tempo, um exercício bastante complicado do pensamento, para discernir as relações entre nós e o objeto, e entre os meios e o fim para onde tendemos. É por isso que a esperança é própria do ser racional, enquanto o desejo, no seu mais baixo grau, é comum ao homem e ao animal, que de certa maneira também é capaz de conhecer pelos sentidos. 

Como neste mundo nós temos sempre alguma coisa a desejar, e que desde já sempre temos esperança, podemos dizer que nossa existência terrestre é uma esperança incessante de uma felicidade que nos escapa aqui em baixo, e que devemos encontrar alhures. Em outras palavras, o homem passa na Terra como viajante; ele não foi feito para fixar-se aqui, e sua pátria é no mais alto. (…)

Do ponto de vista em que a consideramos inicialmente, a esperança é a cadeia que une a terra ao céu, lembrando ao homem incessantemente seus altos destinos, a divina herança que Deus lhe prometeu. Ademais, aqueles que esperam em Deus sentem suas forças aumentarem; diríamos que eles voam com as asas da águia; correm sem que seu ardor se enfraqueça; andam sem mais sentir cansaço. (Isaías, cap. XL, v. 31.)1

De resto, se estudamos os efeitos da esperança, o que veremos?

Veremos que, como todas as afeições doces e alegres, ela imprime ao organismo uma salutar influência.

Assim, a voz tem mais firmeza; a circulação, ativa e bem regrada, não deixa o sangue acumular-se nos órgãos; é pronta a digestão, e todas as funções ocorrem com facilidade. O vigor se espalha pelos membros; a saúde se torna florescente. A expressão do rosto é alegre, dilatada, parece querer expandir-se; as rugas desaparecem, a fonte se eleva e o sorriso embeleza a fisionomia; o olhar límpido e animado anuncia a felicidade interior.

Por outro lado, a inteligência se torna mais viva, mais espontânea; o trabalho lhe é fácil, e as ideais lhe abundam no cérebro. Quando se tem esperança, a alma é acessível a todos os sentimentos generosos, a todas as nobres aspirações. Quando se é feliz, quer-se que todos participem da felicidade que se experimenta. A honestidade, a coragem, a paciência e uma multidão de outras paixões estimáveis se mesclam à esperança. Com ela o futuro não mais é escuro, e todos os pensamentos nos elevam para os céus.

Possam então todos os homens persuadir-se bem de que a Terra que habitam é apenas um lugar de exílio de onde sairão um dia para, se tiverem bem merecido de seus concidadãos e de sua consciência, retornar felizes e triunfantes à mãe-pátria!"


A ESPERANÇA

 

Segundo a filosofia espírita

 

"Quem quer que haja meditado sobre o Espiritismo e suas consequências e não o circunscreva à produção de alguns fenômenos terá compreendido que ele abre à Humanidade uma estrada nova e lhe desvenda os horizontes do infinito. Iniciando-a nos mistérios do mundo invisível, mostra-lhe o seu verdadeiro papel na criação, papel perpetuamente ativo, tanto no estado espiritual, como no estado corporal. O homem já não caminha às cegas: sabe donde vem, para onde vai e por que está na Terra. O futuro se lhe revela em sua realidade, despojado dos preconceitos da ignorância e da superstição; já não se trata de uma vaga esperança: é uma verdade palpável, tão certa para ele como a sucessão do dia e da noite. Ele sabe que o seu ser não é limitado a alguns instantes de uma existência efêmera; que a vida espiritual não é interrompida pela morte; que já viveu e tornará a viver e que nada se perde de tudo o que adquire em perfeição pelo trabalho; em suas existências anteriores encontra a razão do que ele é hoje, e: do que o homem se faz hoje, ele pode concluir o que será um dia.“ (A Gênese - As predições segundo o Espiritismo, cap. XVIII - São chegados os tempos - Sinais dos tempos, item 15.)

***

(…) Pregai pelo exemplo da vossa fé para dá-la aos homens. Pregai pelo exemplo das vossas obras para lhes fazer ver o mérito da fé. Pregai pela vossa esperança firme, para lhes dardes a ver a confiança que fortifica e põe a criatura em condições de enfrentar todas as vicissitudes da vida.” (…)

"Tende, pois, a fé, com o que ela tem de belo e de bom, com a sua pureza, com a sua racionalidade. Não admitais a fé sem controle, filha cega da cegueira. Amai Deus, mas sabei porque o amais; crede nas suas promessas, mas sabei porque credes nelas; segui os nossos conselhos, mas dai-vos conta do objetivo que vos apontamos e dos meios que vos trazemos para o atingirdes. Crede e esperai sem desfalecimento: os milagres são obras da fé. – José, Espírito protetor.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX - A fé transporta montanhas - Instruções dos Espíritos - A fé: mãe da esperança e da caridade, item 11.).

 

***

8. Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que lha pedem. Seu poder cobre a Terra e, por toda a parte, junto de cada lágrima colocou ele um bálsamo que consola. O devotamento e a abnegação são uma prece contínua, e encerram um ensinamento profundo; a sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possam todos os Espíritos sofredores compreender essa verdade, em vez de clamarem contra suas dores, contra os sofrimentos morais que neste mundo vos cabem em partilha. Tomai, pois, por divisa estas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõem. O sentimento do dever cumprido vos dará o repouso do espírito e a resignação. O coração bate melhor, a alma se acalma e o corpo não mais desfalece, pois o corpo tanto mais sofre quanto mais profundamente é atingido o espírito. – O Espírito de Verdade. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI - O Cristo consolador - Instruções dos Espíritos - Advento do Espírito de Verdade, item 8).

 

Sem a vida futura não há esperança

 

Sendo a esperança uma virtude filha da fé racional, e sendo a fé a inteligência perfeita daquilo em que se crê, conforme nos ensina a filosofia espírita, somente certeza da vida futura pode assegurar-nos uma esperança firme em todas as circunstâncias. Por isso incluímos aqui algumas explicações de Allan Kardec sobre essa questão:

 

1. Pilatos, tendo entrado de novo no palácio e feito vir Jesus à sua presença, disse-lhe: És o rei dos judeus? – Respondeu-lhe Jesus: Meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, a minha gente houvera combatido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas, o meu reino não é aqui.

Disse-lhe então Pilatos: És, pois, rei? – Jesus lhe respondeu: Tu o dizes; sou rei; não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence à verdade escuta a minha voz. (S. João, 18:33, 36 e 37.) 

2. Por essas palavras, Jesus designa claramente a vida futura, que ele apresenta em todas as circunstâncias como o termo a que deve chegar a Humanidade, e como devendo constituir objeto das principais preocupações do homem na Terra; todas as suas máximas se reportam a esse grande princípio. Com efeito, sem a vida futura, a maior parte de seus preceitos de moral não teriam nenhuma razão de ser; por isso, aqueles que não creem na vida futura, imaginando que ele falava apenas na vida presente, não os compreendem, ou os consideram pueris.

Esse dogma pode, pois, ser considerado como o eixo do ensinamento do Cristo; por essa razão está colocado num dos primeiros lugares encabeçando esta obra, porque ele deve ser o ponto de mira de todos os homens; só ele pode justificar as anomalias da vida terrestre conformando-as com a justiça de Deus.

3. Os judeus tinham apenas ideias muito imprecisas acerca da vida futura; eles acreditavam nos anjos, que consideravam seres privilegiados da criação, mas não sabiam que os homens podem um dia tornar-se anjos e partilhar da felicidade deles. Segundo eles, a observação das leis de Deus era recompensada com os bens terrenos, como a supremacia de sua nação, as vitórias sobre os seus inimigos; as calamidades públicas e as derrotas eram o castigo da desobediência àquelas leis. Moisés não podia dizer mais do que isso a um povo pastor ignorante, que precisava ser tocado, antes de tudo, pelas coisas deste mundo. Mais tarde, Jesus veio revelar-lhes que há outro mundo, onde a justiça de Deus segue seu curso; é esse mundo que ele promete aos que cumprem os mandamentos de Deus, e onde os bons acharão sua recompensa; esse mundo é seu reino; lá é que ele se encontra em toda sua glória, e para onde voltaria ao deixar a Terra.

Entretanto, Jesus, conformando seus ensinos com o estado dos homens de sua época, não julgou conveniente dar-lhes uma luz completa, que os teria deslumbrado sem esclarecê-los, porque não a teriam compreendido; limitou-se a expor, de alguma forma, a vida futura em princípio, como uma lei natural à qual ninguém pode escapar. Todo cristão, pois, forçosamente crê na vida futura; mas, a ideia que muitos fazem dela é vaga, incompleta e, por isso mesmo, falsa em diversos pontos; para um grande número, não passa de uma crença, sem certeza absoluta, daí a dúvida e mesmo a incredulidade.

O Espiritismo veio completar nesse ponto, como em muitos outros, os ensinos do Cristo, agora que os homens estão maduros para apreender a verdade. Com o Espiritismo, a vida futura não é mais um simples artigo de fé, uma hipótese; é uma realidade material demonstrada pelos fatos, pois são as testemunhas oculares que a descrevem em todas as suas fases e em todas as suas peripécias; isso se dá de tal forma que a dúvida não é somente impossível, mas a inteligência mais vulgar tem a possibilidade de imaginá-la sob seu verdadeiro aspecto, assim como imaginamos um país sobre o qual lemos uma descrição detalhada. Ora, a descrição da vida futura é de tal modo circunstanciada, as condições de existência feliz ou infeliz dos que nela se encontram são tão racionais, que cada um, a seu mau grado, reconhece que não pode ser de outra forma, e que aí está a verdadeira justiça de Deus. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. II - Meu reino não é deste mundo - A vida futura.)


1 Mas aqueles que esperam no Senhor encontrarão sempre novas forças; eles terão asas, e voarão como a águia; eles correrão sem fatigar-se, e caminharão e não se cansarão jamais.  (Bible de Saci) (NT)

 

(A tradução dos textos da língua francesa para o português foi feita pela Equipe do GEAK.)

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