PT-BR 
Estudo Newsletter Fale conosco
BUSCA    
POR QUE ALLAN KARDEC?
SOBRE O GEAK
REVISTA ESPÍRITA
ESTUDOS
VOCABULÁRIO
ARTIGOS
E-BOOKS GRÁTIS
INTERAÇÃO COM OS ESPÍRITOS
Links
Do Livro dos Médiuns - primeira edição, 1861

EXPIAÇÃO – Penas que os Espíritos sofrem em punição das faltas cometidas durante a vida corporal. A expiação, como sofrimento moral, ocorre no estado errante; como sofrimento físico, ela se dá no estado corporal. As vicissitudes e os tormentos da vida corporal são ao mesmo tempo provas para o futuro e uma expiação do passado. (Ver Provas, e Livro dos Espíritos, nºs 990 e seguintes.)

IDEIAS INATAS – Ideias ou conhecimentos não adquiridos e que parecem ser trazidas ao nascer. Por longo tempo se há discutido sobre as ideias inatas, cuja existência foi combatida por certos filósofos, pretendendo que todas são adquiridas. Se assim fosse, como explicar certas predisposições naturais que se revelam desde a mais tenra idade e alheias a qualquer ensinamento? Os fenômenos espíritas projetam grande luz sobre essa questão. Hoje, a experiência não deixa nenhuma dúvida sobre essa espécie de ideias que tem sua explicação na sucessão das existências. Os conhecimentos adquiridos pelo Espírito nas existências anteriores se refletem nas existências posteriores, pelo que denominamos ideias inatas. (Livro dos Espíritos, nº 218.)

INTELIGÊNCIA – Faculdade de conceber, de compreender e de raciocinar. Seria injusto recusar aos animais uma espécie de inteligência, e crer que eles apenas seguem maquinalmente a impulsão cega do instinto. A observação mostra que, em muitos casos, eles agem com propósito deliberado e conforme as circunstâncias; mas essa inteligência, por mais admirável que seja, é sempre limitada à satisfação das necessidades materiais, enquanto a do homem lhe permite elevar-se acima da condição da humanidade. A linha de demarcação entre os animais e o homem é traçada pelo senso moral, a consciência do bem e do mal, a faculdade progressiva, e o conhecimento que é dado ter, a este último, do Ser supremo. (ver Instinto.)

INTUIÇÃO – (Ver Instinto, ideias inatas.)

INVOCAÇÃO - do Iat. in, em, e vocare, chamar. Evocação, do lat. vocare, e e ou ex. de, fora de. Esses dois termos não são sinônimos perfeitos, mesmo que tenham a mesma raiz vocare: chamar. É um erro empregá-los um pelo outro. “Evocar, é chamar, fazer vir a si, fazer aparecer por cerimônias mágicas, encantamentos. Evocar almas, Espíritos, sombras. As necromantes pretendiam evocar as almas dos mortos”. (Academia). Para os Antigos, evocar, era fazer sair as almas dos Infernos para as fazer vir a si.

INVOCAR é chamar em si, ou em seu socorro, um poder superior ou sobrenatural. Invoca-se Deus pela prece. Na religião católica invocam-se os Santos. Toda prece é uma invocação. A invocação está no pensamento; a evocação é um ato. Na invocação o ser ao qual vos dirigis vos ouve; na evocação ele sai de onde estava para vir a vós e manifestar sua presença. A invocação só é dirigida aos seres que se supõem bastante elevados para nos assistir; evocam-se os Espíritos inferiores tanto quanto os Espíritos superiores. “Moisés proibiu, sob pena de morte, a evocação das almas dos mortos, prática sacrílega entre os Cananeus. O 22 º capítulo do segundo livro dos Reis fala da evocação da sombra de Samuel pela Pitoniza”.

         A evocação dos mortos estava em uso desde tempos imemoriais entre os egípcios, cujo conhecimento eles mesmos adquiriram dos indianos. A evocação era praticada principalmente nos mistérios sagrados; mas, para o povo, eram mescladas de muitas crenças supersticiosas e ridículas, porque os sacerdotes guardavam para si a verdadeira ciência. Moisés, que sabia o quanto seu povo era inclinado à idolatria, e queria fazê-lo esquecer o país que lamentavam, proibiu uma prática da qual havia visto abusarem por ignorância, como proibiu a maioria dos outros usos do Egito. No entanto, essa crença estava muito enraizada para ser destruída por meio de uma simples proibição; as leis não poderão nada, jamais, contra fatos constatados; o que há de melhor a fazer para prevenir os abusos, é fazer conhecer a verdade toda inteira em vez de colocá-la sob o alqueire.

A arte das evocações, como se vê, remonta à mais alta antiguidade; encontramo-la em todas as épocas e em todos os povos. Outrora a evocação era acompanhada de práticas místicas, seja porque as considerassem necessárias, seja, o que é mais provável, porque quisessem dar-se o prestígio de um poder superior. Sabe-se hoje que o poder de evocar não é um privilégio, mas pertence a todos, e que todas as cerimônias mágicas e cabalísticas eram apenas vão aparato.

Segundo os Antigos, todas as almas evocadas, ou eram errantes ou vinham dos Infernos, que compreendiam, como se sabe, tanto os Campos Elíseos como o Tártaro; aos Infernos não se ligava nenhuma má interpretação. Na linguagem moderna, o significado do termo inferno, tendo-se restringindo à morada dos reprovados, seguiu-se que certas pessoas ligaram à ideia de evocação à de maus Espíritos ou de demônios; no entanto, essa crença cai à medida que se adquire um conhecimento mais aprofundado dos fatos; também é menos espalhada entre todos os que acreditam na realidade das manifestações espíritas; ela não poderia prevalecer ante a experiência e um raciocínio isento de preconceitos. (Le Livre des Médiums, première édition, 1861. Première partie, chap. I – Vocabulaire spirite, Invocation. Traduzido do francês pela equipe GEAK.)

MAGIA, MAGO – do gr. magos sábio, douto; formado de magéia, conhecimento profundo da natureza, de onde se formou mago sacerdote, douto e filósofo entre os antigos persas. Em sua origem, a magia era a ciência dos doutos; todos os que conheciam a astrologia, que se gabavam de predizer o futuro, que faziam coisas extraordinárias e incompreensíveis para o vulgo, eram magos ou cientistas que mais tarde foram chamados alquimistas. O abuso e o charlatanismo desacreditaram a magia; mas todos os fenômenos que hoje reproduzimos pelo magnetismo, pelo sonambulismo e pelo espiritismo, provam que a magia não era uma arte puramente quimérica e que, entre muitas absurdidades havia certamente coisas muito reais. A vulgarização desses fenômenos tem por efeito destruir o prestígio dos que outrora os operavam sob o manto do segredo, e abusavam da credulidade, atribuindo-se um pretenso poder sobrenatural. Graças a essa vulgarização, sabemos hoje que nada existe de sobrenatural neste mundo, e que certas coisas só parecem derrogar as leis da natureza porque não lhes conhecemos a causa. EndFragment(Le Livre des Médiums, première édition, 1861. Première partie, chap. I – Vocabulaire spirite, Magie, Magicien. Traduzido do francês pela equipe GEAK.)

ORÁCULO – do lat. os, oris, a boca. Resposta dos deuses, conforme as crenças pagãs, dadas às perguntas que lhes eram dirigidas. Assim se chamava porque as respostas eram dadas pela boca das Pitonisas. (Vide este vocábulo). Por extensão, oráculo se dizia, ao mesmo tempo, da resposta, da pessoa que a pronunciava, bem como dos vários meios empregados para conhecer o futuro. Todo fenômeno extraordinário, capaz de ferir a imaginação, era considerado expressão da vontade dos deuses e se tornava um oráculo. Os sacerdotes pagãos, que não perdiam nenhuma ocasião para explorar a credulidade, se constituíam seus intérpretes e, para tanto, consagravam solenemente os templos, nos quais os fiéis vinham deixar suas oferendas, na quimérica ilusão de conhecer o futuro. A crença nos oráculos evidentemente tem sua fonte nas comunicações espíritas que o charlatanismo, a cupidez e a ânsia de dominação tinham cercado de prestígio e que hoje vemos em toda sua simplicidade.

          Uma vez que os deuses não eram outros senão Espíritos, fazer falar os deuses era fazer falar os Espíritos; mas naquele tempo como hoje, há bons e maus Espíritos. Ora, como as pessoas que os interrogavam eram geralmente movidas antes pela ambição e o amor pelas coisas terrestres do que pelo desinteresse e a caridade, é provável que os Espíritos brincalhões vinham mais frequentemente que os bons, divertindo-se às custas da credulidade, e mesmo encontrando auxiliares na fraude com que seus intérpretes concordavam. Sem dúvida, deveria ser muito agradável a esses pretensos deuses o ser adorados; ademais, eles devem ter empreendido um combate sangrento ao cristianismo, que viria quebrar seus altares. Hoje, se não é mais sob o nome de deuses que eles buscam enganar os homens, é sob o de Espíritos, título mais modesto, mas com o auxílio do qual ainda buscam iludir; o número dos que se deixam iludir diminui, é verdade, à medida que se esclarecem sobre a verdadeira natureza dos Espíritos e sobre os meios de desmascará-los; mas eles ainda enganarão por tão longo tempo, quanto o orgulho, o egoísmo, as más paixões lhes derem império; seu reino não acabará senão onde começa a verdadeira caridade cristã.

         Nem toda a antiguidade partilhava desses erros, pois em todos os tempos homens de elite conheceram, ou pelo menos entreviram a verdade. Hoje não resta mais dúvida sobre os antigos mistérios cujo objetivo principal era a iniciação ao conhecimento de Deus e do destino do homem, por uma prática mais esclarecida das comunicações com o mundo invisível, do magnetismo e do sonambulismo. Mas porque essas verdades eram tão cuidadosamente escondidas do vulgo? Havia vários motivos: o primeiro certamente se ligava à ausência dessa caridade universal, essência própria do cristianismo, e que não poderia ser ensinada com autoridade senão pelo seu fundador; o segundo, à preponderância do imenso número de pessoas que viviam dos abusos da ignorância, e se teriam revoltado contra uma doutrina que viesse destruir seus prestígios e seus recursos; Sócrates teve essa triste experiência. Era preciso a missão divina do Cristo para empreender essa luta, luta em que ele sucumbiu corporalmente, mas triunfou moralmente. As provas rigorosas às quais eram submetidos os aspirantes tinham, pois, por objeto, assegurar sua discrição, sua perseverança, a força de seu caráter, de sua capacidade intelectual para compreender a verdade, e de sua vontade enérgica de tudo enfrentar para chegar a conhecê-la; não era comunicada senão aos homens sérios e capazes, e a severidade das condições era um meio de afastar os curiosos e as pessoas superficiais. Eis o que os antigos filósofos nos ensinaram dos mistérios de Elêusis.

O objetivo desses mistérios era a revelação de uma doutrina depurada, que proclamava a unidade do Ser supremo, princípio e fim de todas as coisas. Aí se ensinava que, entre o grande número de divindades adoradas pela multidão, umas são puros gênios que, ministros da vontade de um ser supremo, regulam, sob suas ordens, os movimentos do universo; os outros, simples mortais amados dos deuses, e dos quais se conservam ainda os túmulos em muitos lugares da Grécia.

Por imitação, a alma devia se purificar de sua ignorância e de suas manchas; ela obteria a assistência dos deuses secundários, os meios de chegar à perfeição da virtude, e proporcionar-se as doçuras de uma vida santa, a esperança de uma morte calma e de uma felicidade sem limites. Os iniciados deviam ocupar um lugar distinto nos Campos Elíseos, ali gozar de uma luz pura, e viver no seio da Divindade, enquanto os outros habitariam, após a morte, lugares de trevas e de horror.

O noviciado algumas vezes se prolongava por muitos anos, durante os quais o candidato deveria se preparar, pela prática das virtudes, sem poder entrar no templo. No momento em que os candidatos eram admitidos no recinto sagrado, o arauto gritava: fora daqui os profanos, os ímpios, e todos cuja alma está manchada de crimes! Então apareciam, nas trevas, fantasmas e espectros; a dor, as preocupações, a pobreza, as doenças, a morte, apresentavam-se sob formas odiosas e fúnebres, e o hierofante explicava esses diversos emblemas.

Ao favor de uma fraca luz chegava-se a essa região dos infernos onde as almas se purificavam até atingir a morada da felicidade. Em meio a vozes lamentosas ouviam-se os pesares dos que tinham atentado contra a vida. Eles são punidos, dizia o hierofante, porque desistiram do posto que os deuses lhe haviam assinado neste mundo. Outras vozes gritavam: aprendei, com nosso exemplo, a respeitar os deuses, a serdes justos e reconhecidos, pois a dureza de coração, o abandono dos pais, toda espécie de ingratidão estão submetidas a castigos, bem como os crimes que escapam à justiça dos homens.

A esse quadro pavoroso sucediam bosques deliciosos, pradarias alegres, morada afortunada onde brilhava uma claridade pura, onde vozes agradáveis emitiam sons que deleitavam. Em seguida o iniciado era introduzido nesse lugar santo, face à imagem da deusa resplandecente de luz: as provas estavam acabadas; era ali que ele ouvia coisas que um juramento terrível o impedia de revelar.

Os mistérios antigos, instituídos com um objetivo sério, degeneraram como tudo o que é de criação humana e não é fundado sobre a lei de Deus. Abusos de toda sorte ali foram introduzidos; o ouro e o poder lhes abriram as portas a homens menos virtuosos, e as provas se tornaram uma verdadeira comédia. Caíram num tal descrédito que filósofos ilustres, como Sócrates, por exemplo, se recusaram a fazer-se iniciar. (Le Livre des Médiums, première édition, 1861. Première partie, chap. I – Vocabulaire spirite, Oracle. Traduzido do francês pela equipe GEAK.)

PROVAVicissitude da vida corporal pela qual os Espíritos se depuram conforme a maneira com que as passam. Segundo a doutrina espírita, o Espírito desprendido do corpo, reconhecendo suas imperfeições, escolhe ele mesmo, por um ato de seu livre-arbítrio, o gênero de provas que acredita ser o mais próprio ao seu adiantamento, e que ele experimentará em uma nova existência. Se escolhe uma prova acima de suas forças, ele sucumbe, e seu avanço é adiado. As provas, assim como a natureza da existência corporal, podem também ser impostas por Deus, seja como expiação em certos casos, seja quando o Espírito é muito pouco avançado para poder fazer uma escolha judiciosa com perfeito conhecimento de causa. (Livro dos Espíritos, nºs 258 e seguintes.)

topo da página voltar imprimir indicar