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Antes de negar, é prudente estudar e observar. Para julgar uma coisa é preciso conhecê-la. A crítica só é permissível ao que fala do que sabe. Que seria dito de um homem que, ignorando música, criticasse uma ópera? Ignorando as primeiras noções de literatura, criticasse uma obra literária? (Allan Kardec)
Obediência

Obediência (Conhecimento)

 

Obediência (pt) Obéissance (fr) - do lat. obœdire, de “ob", diante, e audire (ouvir).

 

A obediência é impressão da alma ou conhecimento; é ainda uma impressão dos sentidos, conforme os objetos aos quais obediência pode aplicar-se. Como conhecimento da alma e como impressão dos sentidos, é preciso uma evidência; como impressão da alma é preciso uma certeza. Explico-me: obediência apenas como impressão da alma, é devida à Divindade, sem outro conhecimento senão a certeza de sua infalibilidade, de sua onipotência e de sua verdade eterna. Essa obediência, assim como essa certeza, são gravadas ou impressas em nossa alma; no entanto, a alma não pode ser constrangida a obedecer a essa Divindade, mas ela sente que recusar-lhe obediência é o cúmulo da extravagância: não podemos pretextar ignorância a esse respeito, pois essa impressão é igualmente gravada no coração de todos os homens. 

A obediência impressão, relativa à Divindade, leva a crer em tudo o que não podemos compreender, e que no entanto é verdade, como suas perfeições, seus decretos, seus dogmas, etc. Essa obediência é relativa ao coração que sofre a impressão sem raciocinar, e que não pode dar-se conta.

Como conhecimento, a obediência é devida à Divindade por evidência; porque essa obediência deve-se à inteligência que se relaciona com o espírito e a razão; a esse respeito, a obediência deve ser esclarecida; caso contrário, constrangendo nossa liberdade, essa obediência só poderia desagradar a Deus e degradar a essência da alma. Essa obediência é o caractere que distingue a natureza inteligente do homem da sua natureza material. A obediência do corpo, ou da parte inferior, da natureza material do homem, é bem diferente. A obediência que chamo material é comum com todos os outros animais; em nós é a alma que regula seus movimentos, conforme a qualidade e a natureza dos objetos sensíveis que os sentidos registram, e de acordo com o reflexo da sua ação produzida na alma. Nos animais é o Criador que regula o movimento periódico de seus movimentos; é em Deus, por assim dizer, que se imprimem suas sensações, e é Deus que os faz refletir a ordem de seus movimentos. Essa obediência da parte dos sentidos, relativamente aos animais e às ações do corpo do homem, é uma obediência puramente passiva, uma obediência de escravo, que tem por motor a ordem regulada pela Divindade, ou a própria Divindade; a outra tem por motor as reflexões, o apego ou a razão do homem, enfim sua liberdade relativa a todas as relações sob as quais se pode considerar sua obediência. Os movimentos da obediência no homem, seguindo sempre as luzes de uma razão esclarecida, é o que chamamos obediência do homem; a esse respeito, a evidência é necessária para tornar essa obediência virtuosa. Toda obediência concedida unicamente à impressão dos sentidos é, com relação ao homem, sempre uma obediência servil, sempre uma obediência desregrada, que degrada o homem. É o que faz que as santas Escrituras digam para que vigiemos sobre quem nos comanda e provar os espíritos; é o que faz São Paulo alertar para que tenhamos obediência esclarecida, retionabile obsequium. É essa máxima de obediência esclarecida que dá, da parte da Divindade reparadora, as altas luzes de uma obediência esclarecida, aos judeus que pediam a prova de sua missão, e aos quais ele responde com a evidência mais surpreendente.

Na ordem política dos governos há uma obediência ao Soberano, aos Poderes, às leis, e todos aqueles que têm em mãos a direção do governo político. Essa obediência é ainda uma obediência esclarecida, com exceção dos governos despóticos, em que a obediência é servil e tirânica. Em todos os outros governos ela é esclarecida e livre; o amor para com o Soberano e os Poderes forma a impressão sagrada; as razões de ato de obediência são claras e evidentes; o Soberano que comanda sempre como verdadeiro pai, não quer nada senão o que é justo; é a alma de todo esse corpo político. A obediência às leis é da mesma natureza; essas leis são os efeitos impulsionadores que a unanimidade de nossos pais consentiram e que nós reclamamos sempre como o objeto principal da nossa obediência política.

Quando se trata de obediência, é preciso que ela seja verdadeiramente esclarecida para ser virtuosa, de outra forma não passa de impressão; e muito poucas pessoas são virtuosas por obediência. As almas comuns e ordinárias obedecem por medo, por erro, por ilusão, isto é, por instinto ou por essas impressões dos sentidos. As almas virtuosas e piedosas são quase sempre desse número; somente as almas esclarecidas e principalmente as almas superiores são capazes da obediência virtuosa. Seu contrário é a independência, seu contraditório a revolta. 

(Manuel du philosophe, ou Dictionnaire des vertus ou des qualités intellectuelles de l’ame, Obéissance. Berlim, 1769. (Traduzido do francês pela equipe do GEAK / IPEAK.)

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