PT-BR
BUSCA    
POR QUE ALLAN KARDEC?
SOBRE O GEAK
REVISTA ESPÍRITA
ESTUDOS
VOCABULÁRIO
ARTIGOS
E-BOOKS GRÁTIS
INTERAÇÃO COM OS ESPÍRITOS
Links
Quando o Espírito desperta, quando sua vontade é tão grande, seu desejo tão potente, abrem-se-lhe as portas da alma para compreender, na imensidão do Universo, os desígnios de Deus. (Sem nome)
Honestidade

Honesto, Honestidade - (Qualidade)

 

A honestidade é uma feliz disposição de alma que faz com que o homem não se permita nada do que é contrário à pureza dos costumes e da virtude; ou, como diz Vauvenargues, “um apreço por todas as virtudes civis e morais”, uma retidão do coração e do espírito, com fidelidade severa aos deveres que ela impõe.

A honestidade, assim entendida, não teria nenhuma diferença entre esse sentimento e a própria virtude? Não, pois ser virtuoso ou honesto é perfeitamente sinônimo, e o bom uso que cada um faz da sua liberdade, quando se torna habitual, chama-se virtude. Digo mais: não se pode ser verdadeiramente virtuoso quando não se tem o hábito de agir de conformidade com as leis naturais e com os deveres da moral e da religião, assim como jamais se pode ser honesto homem sem o cumprimento habitual e voluntário dessas leis e desses deveres.

Se insisto bastante sobre a palavra hábito, é porque muita gente imagina que se pode merecer o título de virtuoso ou honesto desde que, em certos casos particulares, se faça um ato virtuoso. É um erro. Para que se possa ser julgado como tal, é preciso que a virtude seja habitual, porque a virtude não consiste num traço, ela forma o conjunto de uma multidão de traços em que a caridade, a beleza e a realização formem uma vida (Madame de Staël).

Do mesmo modo, para merecer o título de honesto, não basta mostrar-se tal em dadas circunstâncias, mas de sê-lo sempre. Por isso é tão raro que alguém possa dizer a si mesmo, no foro íntimo de sua consciência: Eu sou homem de bem, já que permanecer  como tal é tão difícil.

Com efeito, qual é o indivíduo, por mais afeiçoado que seja às virtudes sociais, e que as pratique por reflexão, por sabedoria, que possa garantir que terá sempre a força e a coragem de tomar constantemente a honestidade por guia e torná-la proveitosa aos outros? Quem é que habitualmente privar-se-á de um prazer que pode prejudicar a outrem? Que se recusará a defender-se de uma calúnia que lhe é feita, quando só pode fazê-lo se divulgar segredos que prejudiquem a tranquilidade de uma família? Quem fará bem àquele que o prejudicou, ou teve essa intenção, apenas para melhor fazê-lo sentir que foi injusto? Quem não prejudicará a reputação de um comerciante por quem foi enganado, limitando-se a repreendê-lo frente-a-frente e com discrição? Quem nunca fará um movimento, mesmo inocente, que poderia ser mal interpretado, e apesar de todo amor que tem por sua família e seus amigos, não os sacrificaria à justiça? Que recusaria um emprego para beneficiar aquele que o ocupa e necessita dele para alimentar sua família? Poucas pessoas, sem dúvida.

E porque isso se dá? Porque, a menos que se esteja fortemente penetrado do amor de Deus e do amor do próximo; a menos que seja eminentemente religioso, o homem jamais se privará de seus direitos para respeitar os dos outros. Isso porque pagar à sociedade tudo o que se lhe deve, custa muito mais do que se pensa. As paixões murmuram; o humor a isso se opõe, à natureza é repugnante, o amor-próprio fica alarmado, e, a menos que se seja realmente virtuoso, eu o repito, para encontrar na religião um apoio que o sustente, o homem sucumbirá.

Depois disso, é de espantar-se de que a honestidade seja uma virtude tão rara? Não, porque ela sucumbe sob as fraquezas da humanidade. Todavia, sendo a honestidade a virtude dos sábios, ou a própria sabedoria, esse é um bom motivo para buscá-la. Ademais, não me admiro de que o N. S. P. Pio IX tenha dito, numa circunstância solene: “Se a honestidade fugisse da Terra, ela deveria refugiar-se no coração de um papa, e eu sou papa!”

Não se deve confundir o honesto homem com o homem polido, aliás tão diferentes um do outro. O primeiro, afeiçoado a seus deveres por intuição, pela ordem e por amor à virtude, faz ações honestas baseadas unicamente em seu desejo e seu amor; o segundo, ao contrário, apegado aos deveres da sociedade por polidez, e algumas vezes por pendor, age segundo esses últimos sentimentos, de tal sorte que pode ser muito indigno e no entanto ter atenções delicadas para com os outros, o que faz que seja buscado e estimado por todos, nada sendo mais doce do que a sua companhia. Concebe-se, então, porque estabelecemos entre eles uma linha de demarcação bem acentuada.

 

(Termos: Honnête, Honnêteté, do Dictionnaire des facultés intellectuelles et affectives de l’âme, T. 1. Paris, 1849. Traduzido do francês pela equipe do GEAK / IPEAK.)

© GEAK - Grupo de Estudos Allan Kardec
topo da página imprimir compartilhar